quinta-feira, 10 de julho de 2025

RAÍZES INVISÍVEIS, TRAMAS SUBMERSAS

  

AS AÇÕES DO INCONSCIENTE

Uma metáfora nos leva explorar as ações do inconsciente de forma comparativas.

À superfície, a vida flui com aparente normalidade. Sorrisos contidos, rotinas meticulosas, respostas automáticas. Mas sob esse nível visível como abaixo da lâmina d’água há um emaranhado de forças silenciosas em movimento. É ali que reside o inconsciente: vasto, misterioso, pulsante como raízes submersas que sustentam o tronco de quem somos.


Essas raízes memórias não ditas, traumas que adormecem, desejos não confessados se expandem em direções que a consciência jamais percebe por completo. Elas decidem caminhos. Elas moldam afetos. Elas sabotam escolhas que julgamos racionais. O inconsciente age por curvas e desvios, e nunca por linhas retas.

Como raízes em busca de nutrientes, nossas pulsões se estendem por entre o passado e o presente. Uma palavra dita por alguém, uma lembrança súbita, um cheiro qualquer mínima fagulha pode despertar um galho oculto da psique e ativar reações inesperadas. Não há lógica aparente: há sobrevivência psíquica.

Aqueles que insistem em ver o ser humano como apenas racional esquecem que nosso centro de gravidade emocional está encoberto. A lógica pode decidir o caminho, mas é a emoção, armazenada como raiz silenciosa, que move os pés. Por isso erramos, por isso repetimos, por isso às vezes nos sabotamos sem saber o motivo.

O inconsciente não é um inimigo. Ele é terreno fértil, cheio de forças esquecidas, capazes de gerar cura ou caos. São nele que dormem experiências enterradas que ainda respiram dentro de nós. E quanto mais tentamos negar essas raízes, mais elas se curvam por dentro, tentando romper a superfície. Elas querem existir. Elas querem se entrelaçar.

Há também beleza nesse emaranhado. Afinal, não seriam justamente os nós internos que nos tornam humanos? Não são as complexidades emocionais, os paradoxos e conflitos, que nos dão profundidade? Raízes lisas e simétricas não existem fora da ficção. Na vida real, há rachaduras. Há bifurcações. Há galhos que se cruzam em silêncio.

Crescemos rumo à luz, mas levamos conosco todo o subterrâneoaquilo que não se vê, mas que nos sustenta. Nosso afeto, por exemplo, jamais nasce puro. Ele é tecido por ausências, por memórias de perdas, por histórias que moldaram nosso modo de amar. Amar é atravessar o inconsciente. É aceitar que há raízes que doem, e outras que curam.

A psique, como um vaso com bambus, se adapta aos limites impostos. Ela curva o desejo, redesenha o medo, redesenha a esperança. Às vezes, uma raiz rompe o recipiente. Outras vezes, ela cria caminhos internosinvisíveis por fora, mas absolutamente vivos por dentro.

E quando mergulhamos em nós mesmos, quando ousamos olhar com honestidade para esses espaços escuros e silenciosos, começamos a reconhecer que não há crescimento sem alicerce. Não há transformação sem contato com aquilo que está na base.

 

Por: Psi. Antonio Evangelista

2 comentários:

  1. Achei muito verdade tudo o que este texto diz ... parabéns

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fico muito feliz que o texto tenha tocado você dessa forma. Comentários assim motivam ainda mais a seguir compartilhando ideias. Muito obrigado pelo carinho!

      Excluir

Ola deixe seu comentário e se precisar de mais informações ou ajuda com alguns dos temas entre em contato: psi.antonioevangelista@gmail.com

PSICOLOGIA REVERSA: ENTRE RESISTÊNCIA E PERSUASÃO

  A capacidade de conduzir e influenciar socialmente Por: Antonio Evangelista Texto Principal A psicologia reversa é uma técnica de ...