terça-feira, 3 de junho de 2025

PERTENCER: ENTRE O ACOLHIMENTO, A LIBERDADE E A VULNERABILIDADE

A necessidade de pertencimento é uma das forças mais fundamentais da psique humana, impactando profundamente o comportamento, as emoções e a construção da identidade. Essa necessidade pode ser vista sob duas perspectivas: uma positiva, que fortalece a saúde mental e a sociabilidade, e uma negativa, que pode levar à perda de autenticidade e ao sofrimento emocional.

 Provocação:

a)    Você já se sentiu forçado a mudar sua autenticidade para se encaixar em um grupo? Até que ponto a necessidade de pertencimento impacta sua liberdade individual?

Na busca por pertencimento, será que nos tornamos quem realmente somos ou apenas aquilo que os outros esperam de nós?

Obs: Responda nos comentários



O lado positivo do pertencimento

A conexão com grupos sociais, sejam familiares, culturais ou profissionais, desempenha um papel crucial no desenvolvimento psicológico. Alguns benefícios incluem:

  1. Segurança emocional: Sentir-se parte de um grupo traz apoio emocional e reduz sentimentos de solidão e ansiedade. Baumeister e Leary (1995) afirmam que “os seres humanos têm uma necessidade persistente e generalizada de formar e manter relacionamentos interpessoais fortes, estáveis e afetivos.”
  2. Autoestima fortalecida: O reconhecimento e a aceitação social podem aumentar a confiança e a percepção de valor pessoal. A construção da identidade, segundo Erik Erikson (1968), é diretamente influenciada pelo pertencimento social.
  3. Colaboração e empatia: Laços sociais incentivam a cooperação e a capacidade de compreender o outro, promovendo relações saudáveis. A Teoria da Autodeterminação (Deci & Ryan, 1985) reforça que o pertencimento deve estar alinhado à autonomia e à competência para promover bem-estar.
  4. Sentido de identidade: Fazer parte de uma comunidade contribui para a formação de identidade e propósito, ajudando indivíduos a se situarem no mundo.

O lado negativo do pertencimento

Por outro lado, a necessidade excessiva de aceitação pode gerar desafios psicológicos que comprometem o bem-estar. Alguns riscos incluem:

  1. Supressão da autenticidade: O desejo de pertencimento pode levar à adaptação excessiva às normas do grupo, impedindo a expressão genuína da individualidade. Brené Brown (2010) destaca que “pertencer sem precisar mudar quem somos é um dos maiores desafios emocionais da vida adulta.”
  2. Medo da rejeição: Quando a aceitação se torna um critério central para a autoavaliação, o indivíduo pode desenvolver ansiedade social e medo de ser excluído.
  3. Influência negativa: A necessidade de pertencimento pode tornar alguém vulnerável a grupos nocivos ou manipuladores, levando a decisões prejudiciais.
  4. Dependência emocional: A busca constante por aprovação pode gerar relacionamentos desequilibrados, nos quais a pessoa se torna emocionalmente dependente da aceitação alheia. 

Reflexão psicológica

A chave para um pertencimento saudável está no equilíbrio entre a conexão social e a preservação da individualidade. A Teoria da Autodeterminação, proposta por Deci e Ryan, sugere que a necessidade de relacionamento deve coexistir com autonomia e competência para que o desenvolvimento psicológico seja positivo. A construção de um pertencimento genuíno ocorre quando o indivíduo se sente livre para ser autêntico sem medo de rejeição.

Nesse contexto, o caminho para uma vida emocionalmente equilibrada envolve cultivar laços sociais genuínos, evitar padrões de dependência e compreender que o pertencimento mais valioso não é aquele imposto, mas o que permite a autenticidade. 

Bibliografia:

BAUMEISTER, Roy F.; LEARY, Mark R. A necessidade de pertencer: o desejo por vínculos interpessoais como uma motivação humana fundamental. Psychological Bulletin, v. 117, n. 3, p. 497-529, 1995.

 DECI, Edward L.; RYAN, Richard M. Teoria da autodeterminação: uma macroteoria sobre motivação humana, desenvolvimento e saúde. Canadian Psychology/Psychologie Canadienne, v. 49, n. 3, p. 182-185, 2008.

 BROWN, Brené. Os presentes da imperfeição: abra mão de quem você acha que deve ser e aceite quem você realmente é. Center City: Hazelden Publishing, 2010.

 

 

2 comentários:

  1. Muito obrigada, psi, pelos textos tão ricos e cheios de aprendizado. Cada palavra reflete cuidado, conhecimento e dedicação. É sempre um privilégio poder aprender com o que você compartilha!

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  2. Fico imensamente grato pelo seu comentário tão generoso. Saber que as palavras tocaram você dessa forma me lembra do porquê escrevo — para criar espaços de reflexão, de acolhimento e de encontro.
    É uma alegria poder compartilhar conhecimentos e, mais ainda, saber que eles chegam com cuidado e fazem sentido para quem lê. Seguimos juntos nessa caminhada de aprender, sentir e pertencer. Muito obrigado por estar aqui.

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Ola deixe seu comentário e se precisar de mais informações ou ajuda com alguns dos temas entre em contato: psi.antonioevangelista@gmail.com

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