quinta-feira, 24 de julho de 2025


MISOFONIA: QUANDO SONS COMUNS DESENCADEIAM REAÇÕES INTENSAS

Por: Psi. Antonio Evangelista

Estar em um ambiente tranquilo e subitamente se sentir dominado por irritação, angústia ou ansiedade diante de ruídos simples como o som da mastigação alheia, o clique repetido de uma caneta ou o teclar acelerado em um teclado pode parecer estranho para muitos, mas para quem convive com a misofonia, essa experiência é diária e profundamente desconfortável.

Essa condição neuropsicológica ainda pouco conhecida transforma sons corriqueiros em verdadeiros gatilhos emocionais, gerando reações que vão do desconforto à crise.

Leia o artigo gratuitamente em: https://www.linkedin.com/pulse/misofonia-quando-sons-comuns-desencadeiam-rea%25C3%25A7%25C3%25B5es-antonio-evangelista-9qwef 


quinta-feira, 10 de julho de 2025

RAÍZES INVISÍVEIS, TRAMAS SUBMERSAS

  

AS AÇÕES DO INCONSCIENTE

Uma metáfora nos leva explorar as ações do inconsciente de forma comparativas.

À superfície, a vida flui com aparente normalidade. Sorrisos contidos, rotinas meticulosas, respostas automáticas. Mas sob esse nível visível como abaixo da lâmina d’água há um emaranhado de forças silenciosas em movimento. É ali que reside o inconsciente: vasto, misterioso, pulsante como raízes submersas que sustentam o tronco de quem somos.


Essas raízes memórias não ditas, traumas que adormecem, desejos não confessados se expandem em direções que a consciência jamais percebe por completo. Elas decidem caminhos. Elas moldam afetos. Elas sabotam escolhas que julgamos racionais. O inconsciente age por curvas e desvios, e nunca por linhas retas.

Como raízes em busca de nutrientes, nossas pulsões se estendem por entre o passado e o presente. Uma palavra dita por alguém, uma lembrança súbita, um cheiro qualquer mínima fagulha pode despertar um galho oculto da psique e ativar reações inesperadas. Não há lógica aparente: há sobrevivência psíquica.

Aqueles que insistem em ver o ser humano como apenas racional esquecem que nosso centro de gravidade emocional está encoberto. A lógica pode decidir o caminho, mas é a emoção, armazenada como raiz silenciosa, que move os pés. Por isso erramos, por isso repetimos, por isso às vezes nos sabotamos sem saber o motivo.

O inconsciente não é um inimigo. Ele é terreno fértil, cheio de forças esquecidas, capazes de gerar cura ou caos. São nele que dormem experiências enterradas que ainda respiram dentro de nós. E quanto mais tentamos negar essas raízes, mais elas se curvam por dentro, tentando romper a superfície. Elas querem existir. Elas querem se entrelaçar.

Há também beleza nesse emaranhado. Afinal, não seriam justamente os nós internos que nos tornam humanos? Não são as complexidades emocionais, os paradoxos e conflitos, que nos dão profundidade? Raízes lisas e simétricas não existem fora da ficção. Na vida real, há rachaduras. Há bifurcações. Há galhos que se cruzam em silêncio.

Crescemos rumo à luz, mas levamos conosco todo o subterrâneoaquilo que não se vê, mas que nos sustenta. Nosso afeto, por exemplo, jamais nasce puro. Ele é tecido por ausências, por memórias de perdas, por histórias que moldaram nosso modo de amar. Amar é atravessar o inconsciente. É aceitar que há raízes que doem, e outras que curam.

A psique, como um vaso com bambus, se adapta aos limites impostos. Ela curva o desejo, redesenha o medo, redesenha a esperança. Às vezes, uma raiz rompe o recipiente. Outras vezes, ela cria caminhos internosinvisíveis por fora, mas absolutamente vivos por dentro.

E quando mergulhamos em nós mesmos, quando ousamos olhar com honestidade para esses espaços escuros e silenciosos, começamos a reconhecer que não há crescimento sem alicerce. Não há transformação sem contato com aquilo que está na base.

 

Por: Psi. Antonio Evangelista

segunda-feira, 7 de julho de 2025

SEM LEGENDA, COM EMOÇÃ

  O ESTADO EMOJISADO DA ALMA 😶
Psi. Antonio Evangelista

Essa reflexão sobre o “estado emojisado” da alma me parece um manifesto contemporâneo do sentir: como traduzir o imaterial, o indizível, em pequenos ícones que, de alguma forma, dizem tudo. E dizem mesmo.
Vivemos um tempo em que o vocabulário do afeto precisou migrar para telas, e lá ganhou nova forma pixelada, minimalista, mas poderosa. Os emojis não são só atalhos de expressão: são bandeiras afetivas, confissões visuais, gestos codificados de empatia. Em um mundo onde o tempo é curto e as mensagens, efêmeras, essas carinhas tornaram-se pontes simbólicas entre almas apressadas.

Você já sentiu algo tão intensamente que nenhuma palavra dava conta... mas um emoji resolvia? Pois é. É porque nem toda emoção vem com legenda. Às vezes, a alma fala por carinhas e a gente ouve com o coração.

Estar emojisado é quando a gente transborda por símbolo.
É aquele momento em que o
💬 vira abraço, o 😂 vira libertação, o 😶 vira desabafo mudo.
Não é falta de vocabulário é sintaxe afetiva.

É como se nossas emoções tivessem aprendido uma nova linguagem.
Mais rápida. Mais simbólica. Mais honesta até.

A gente não diz mais "tô um caco".
A gente manda 🫠.
E todo mundo entende.

🧠 Pensata Psicológica Sentir em Linguagem Digital

O afeto humano precisou aprender a caber no celular.
E, surpreendentemente, ele se adaptou.

Os emojis talvez sejam os primeiros sinais vitais digitais da psique moderna.
Eles surgem onde a fala trava, onde a escrita é fria, onde o olhar não alcança.
É comunicação não-verbal em ambiente virtual.

Do ponto de vista psicológico, isso é fascinante:
criou-se uma semiótica emocional instantânea, quase como um inconsciente coletivo em pixels.

Talvez não seja sobre “superficialidade da geração emoji”,
mas sobre a sofisticação simbólica da nossa necessidade de sentir — mesmo em meio a textos frios e curtos.

Ser emojisado, no fim, é ser profundamente humano… numa linguagem atual.

Citação Inspiradora

“Quando não houver palavras, que a emoção desenhe. E se ela desenhar um emoji, entenda: foi o coração que escreveu.”

terça-feira, 1 de julho de 2025

FRAGMENTOS INVISÍVEIS

 

COMO O TRANSTORNO BIPOLAR SE APRESENTA POR DENTRO

Por Psi. Antônio Evangelista – Psicólogo Clínico

Apaixonado por saúde mental, escrita consciente e acolhimento verdadeiro

 

Nem todo sofrimento é visível. Vivemos em uma sociedade que valoriza a produtividade, o sorriso pronto e a estabilidade aparente mas, por trás dessas máscaras sociais, podem existir batalhas psicológicas silenciosas.

O transtorno bipolar é uma dessas batalhas. Trata-se de um distúrbio do humor que provoca oscilações emocionais intensas da euforia à tristeza profunda e que pode comprometer significativamente a qualidade de vida de quem vive com ele. Na maioria das vezes os sinais não são evidente. Eles se camuflam no cotidiano, tornando ainda mais difícil o diagnóstico precoce e o acesso ao cuidado adequado.

 

Uma metáfora visual

Imagine uma maçã vermelha, brilhante, aparentemente perfeita. Quem olha de fora vê apenas a casca lisa, o brilho sedutor. Mas, com o tempo, pequenas fissuras começam a surgir. Por dentro, ela vai se fragmentando, como um mosaico que se desfaz lentamente. Ainda conserva sua forma, mas já não é mais inteira.

A metáfora aqui apresentada ilustra com clareza o que muitas pessoas que lidam com transtorno bipolar experimentam: uma desconexão entre o que se mostra ao mundo e o que se sente internamente. Raramente essa fragmentação acontece de forma abrupta; geralmente é um processo sutil, gradual — um degradê emocional quase invisível para quem está de fora.

 

Como o transtorno bipolar se manifesta

O transtorno bipolar pode apresentar diferentes tipos e intensidades, mas quase sempre alterna episódios de:

·       Euforia (mania ou hipomania): energia excessiva, autoestima inflada, impulsividade, ideias aceleradas e pouca necessidade de sono 

·       Depressão: apatia, tristeza intensa, lentidão cognitiva, desesperança e, em alguns casos, pensamentos suicidas

Esses episódios podem variar em frequência e intensidade. Algumas pessoas enfrentam ciclos curtos e recorrentes, enquanto outras vivenciam longos períodos de estabilidade entre as oscilações. O mais importante é reconhecer que nem toda mudança de humor é apenas "personalidade" ou "fases" - e sim sinais que merecem atenção.

“O transtorno bipolar é uma condição médica grave, mas tratável. Com o diagnóstico e tratamento adequados, muitas pessoas com transtorno bipolar podem levar vidas plenas e produtivas.”
American Psychiatric Association, DSM-5, 2014.

O perigo do silêncio

Muitas pessoas com bipolaridade mantêm rotinas aparentemente normais. Trabalham, convivem socialmente e até sorriem mesmo quando se sentem despedaçadas por dentro. Esse contraste entre aparência e vivência pode atrasar o diagnóstico e o tratamento, aumentando o risco de crises graves.

Além disso, o estigma associado aos transtornos mentais ainda impede que muitos busquem ajuda. Existe medo de julgamento, rótulo ou invalidação. Mas a verdade é clara: sofrimento psíquico não se resolve com força de vontade, mas com acolhimento, escuta assertiva sem julgamento e tratamento adequado.

 

O que fazer?

1.    Reconheça os sinais: alterações de humor, comportamento impulsivo, padrões de sono desregulados ou esgotamento persistente são sinais de alerta,

2.    Fale sobre o que sente: conversar com um profissional é o primeiro passo para entender o que está acontecendo,

3.    Busque tratamento: psicoterapia e, em muitos casos, medicação podem estabilizar o humor e melhorar significativamente a qualidade de vida,

Apoie com empatia: se você conhece alguém que pode estar passando por isso, ouça sem julgamento. Às vezes, isso é o que mais salva.

 

Conclusão

Se você sente que está se fragmentando aos poucos, mesmo que por fora tudo pareça bem — isso já é um sinal. A saúde mental é uma necessidade que precisa ser levado muito a sério inclusive com ações preventivas. E pedir ajuda não é fraqueza. É coragem, é cuidado, é recomeço.

 

Referências

  • AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais – DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
  • KAPCZINSKI, F.; QUEVEDO, J. (Orgs.). Transtorno bipolar: teoria e clínica. Porto Alegre: Artmed, 2009.
  • BOSAIPO, N. B.; BORGES, M. K.; JURUENA, M. F. Transtorno bipolar: reflexões sobre diagnóstico e tratamento. Revista Perspectiva, [S. l.], 2017.
  • DEMÉTRIO, F. N. Transtorno bipolar – teoria e clínica. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, 2009.
  • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Atlas da saúde mental. Genebra: WHO, 2011.
  • SCIELO BRASIL. Transtorno bipolar – teoria e clínica. Revista Brasileira de Psiquiatria. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbp/a/ftG5Fzpr9rvcBJH94sSXjCS/. Acesso em: 1 jul. 2025.

 

Psi. Antônio Evangelista 

Psicólogo • CRP/SP 149802 

 

 

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