sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

PSICOLOGIA REVERSA: ENTRE RESISTÊNCIA E PERSUASÃO

 

A capacidade de conduzir e influenciar socialmente

Por: Antonio Evangelista

Texto Principal

A psicologia reversa é uma técnica de comunicação que se apoia na contradição: ao sugerir o oposto do que se deseja, provoca no indivíduo uma reação contrária à instrução, conduzindo-o ao resultado esperado. Seu uso é mais frequente em contextos de educação, relacionamentos ou negociações, especialmente quando há resistência a ordens diretas.

Essa estratégia se mostra eficaz diante de comportamentos opositores, pois explora a tendência humana de afirmar autonomia frente a tentativas de controle. No entanto, é importante destacar que não deve ser utilizada como ferramenta principal em situações delicadas, como traumas psicológicos graves, onde o cuidado, a escuta empática e a intervenção profissional são fundamentais.


A Teoria da Reactância, proposta por Brehm (1966), explica que quando uma pessoa percebe sua liberdade ameaçada, tende a agir de forma contrária à imposição. Esse mecanismo psicológico é a base da chamada psicologia reversa, que transforma a resistência em motivação. Nesse contexto, o comportamento opositor ganha relevância, pois indivíduos que reagem negativamente a instruções diretas podem ser mais suscetíveis a essa técnica, já que sua identidade se fortalece ao “escolher” o caminho contrário ao sugerido.

Apesar de sua utilidade em negociações ou dinâmicas educativas, é necessário considerar as limitações éticas da psicologia reversa. Se utilizada de forma indiscriminada, pode se tornar manipulativa, comprometendo o respeito à autonomia e ao bem-estar dos envolvidos. Por isso, sua aplicação deve sempre ser orientada por princípios éticos.

No que se refere às aplicações práticas, observa-se que em ambientes educacionais a psicologia reversa pode estimular a autonomia do estudante; em negociações, pode contribuir para a redução de resistências; e em relacionamentos, quando aplicada com cautela, pode suavizar conflitos e favorecer a comunicação entre as partes.

Conclusão:

A psicologia reversa nos lembra que nem sempre o caminho direto é o mais eficaz. Muitas vezes, o ser humano precisa sentir que escolhe por si mesmo, mesmo quando a escolha foi discretamente conduzida.

Talvez o maior ensinamento seja este: não se trata de enganar, mas de compreender que a liberdade percebida é tão importante quanto a liberdade real. Quando reconhecemos a força da autonomia, aprendemos que persuadir não é impor, mas criar espaço para que o outro descubra, por si, o valor de suas próprias decisões.

 

Bibliografia

BREHM, J. W. Uma teoria da reatância psicológica. New York: Academic Press, 1966.

CIALDINI, R. B. Influência: ciência e prática. Boston: Allyn & Bacon, 2001.

FESTINGER, L. Uma teoria da dissonância cognitiva. Stanford: Stanford University Press, 1957.

SKINNER, B. F. Ciência e comportamento humano. New York: Macmillan, 1953.

ZANELLA, A. V. Autonomia e heteronomia: dimensões da constituição do sujeito. Psicologia em Estudo, Maringá, 2004.

LIMA, M. E. O. Persuasão e resistência: estratégias de influência social. Revista Psicologia: Teoria e Prática, São Paulo, 2010.

 

quinta-feira, 24 de julho de 2025


MISOFONIA: QUANDO SONS COMUNS DESENCADEIAM REAÇÕES INTENSAS

Por: Psi. Antonio Evangelista

Estar em um ambiente tranquilo e subitamente se sentir dominado por irritação, angústia ou ansiedade diante de ruídos simples como o som da mastigação alheia, o clique repetido de uma caneta ou o teclar acelerado em um teclado pode parecer estranho para muitos, mas para quem convive com a misofonia, essa experiência é diária e profundamente desconfortável.

Essa condição neuropsicológica ainda pouco conhecida transforma sons corriqueiros em verdadeiros gatilhos emocionais, gerando reações que vão do desconforto à crise.

Leia o artigo gratuitamente em: https://www.linkedin.com/pulse/misofonia-quando-sons-comuns-desencadeiam-rea%25C3%25A7%25C3%25B5es-antonio-evangelista-9qwef 


quinta-feira, 10 de julho de 2025

RAÍZES INVISÍVEIS, TRAMAS SUBMERSAS

  

AS AÇÕES DO INCONSCIENTE

Uma metáfora nos leva explorar as ações do inconsciente de forma comparativas.

À superfície, a vida flui com aparente normalidade. Sorrisos contidos, rotinas meticulosas, respostas automáticas. Mas sob esse nível visível como abaixo da lâmina d’água há um emaranhado de forças silenciosas em movimento. É ali que reside o inconsciente: vasto, misterioso, pulsante como raízes submersas que sustentam o tronco de quem somos.


Essas raízes memórias não ditas, traumas que adormecem, desejos não confessados se expandem em direções que a consciência jamais percebe por completo. Elas decidem caminhos. Elas moldam afetos. Elas sabotam escolhas que julgamos racionais. O inconsciente age por curvas e desvios, e nunca por linhas retas.

Como raízes em busca de nutrientes, nossas pulsões se estendem por entre o passado e o presente. Uma palavra dita por alguém, uma lembrança súbita, um cheiro qualquer mínima fagulha pode despertar um galho oculto da psique e ativar reações inesperadas. Não há lógica aparente: há sobrevivência psíquica.

Aqueles que insistem em ver o ser humano como apenas racional esquecem que nosso centro de gravidade emocional está encoberto. A lógica pode decidir o caminho, mas é a emoção, armazenada como raiz silenciosa, que move os pés. Por isso erramos, por isso repetimos, por isso às vezes nos sabotamos sem saber o motivo.

O inconsciente não é um inimigo. Ele é terreno fértil, cheio de forças esquecidas, capazes de gerar cura ou caos. São nele que dormem experiências enterradas que ainda respiram dentro de nós. E quanto mais tentamos negar essas raízes, mais elas se curvam por dentro, tentando romper a superfície. Elas querem existir. Elas querem se entrelaçar.

Há também beleza nesse emaranhado. Afinal, não seriam justamente os nós internos que nos tornam humanos? Não são as complexidades emocionais, os paradoxos e conflitos, que nos dão profundidade? Raízes lisas e simétricas não existem fora da ficção. Na vida real, há rachaduras. Há bifurcações. Há galhos que se cruzam em silêncio.

Crescemos rumo à luz, mas levamos conosco todo o subterrâneoaquilo que não se vê, mas que nos sustenta. Nosso afeto, por exemplo, jamais nasce puro. Ele é tecido por ausências, por memórias de perdas, por histórias que moldaram nosso modo de amar. Amar é atravessar o inconsciente. É aceitar que há raízes que doem, e outras que curam.

A psique, como um vaso com bambus, se adapta aos limites impostos. Ela curva o desejo, redesenha o medo, redesenha a esperança. Às vezes, uma raiz rompe o recipiente. Outras vezes, ela cria caminhos internosinvisíveis por fora, mas absolutamente vivos por dentro.

E quando mergulhamos em nós mesmos, quando ousamos olhar com honestidade para esses espaços escuros e silenciosos, começamos a reconhecer que não há crescimento sem alicerce. Não há transformação sem contato com aquilo que está na base.

 

Por: Psi. Antonio Evangelista

segunda-feira, 7 de julho de 2025

SEM LEGENDA, COM EMOÇÃ

  O ESTADO EMOJISADO DA ALMA 😶
Psi. Antonio Evangelista

Essa reflexão sobre o “estado emojisado” da alma me parece um manifesto contemporâneo do sentir: como traduzir o imaterial, o indizível, em pequenos ícones que, de alguma forma, dizem tudo. E dizem mesmo.
Vivemos um tempo em que o vocabulário do afeto precisou migrar para telas, e lá ganhou nova forma pixelada, minimalista, mas poderosa. Os emojis não são só atalhos de expressão: são bandeiras afetivas, confissões visuais, gestos codificados de empatia. Em um mundo onde o tempo é curto e as mensagens, efêmeras, essas carinhas tornaram-se pontes simbólicas entre almas apressadas.

Você já sentiu algo tão intensamente que nenhuma palavra dava conta... mas um emoji resolvia? Pois é. É porque nem toda emoção vem com legenda. Às vezes, a alma fala por carinhas e a gente ouve com o coração.

Estar emojisado é quando a gente transborda por símbolo.
É aquele momento em que o
💬 vira abraço, o 😂 vira libertação, o 😶 vira desabafo mudo.
Não é falta de vocabulário é sintaxe afetiva.

É como se nossas emoções tivessem aprendido uma nova linguagem.
Mais rápida. Mais simbólica. Mais honesta até.

A gente não diz mais "tô um caco".
A gente manda 🫠.
E todo mundo entende.

🧠 Pensata Psicológica Sentir em Linguagem Digital

O afeto humano precisou aprender a caber no celular.
E, surpreendentemente, ele se adaptou.

Os emojis talvez sejam os primeiros sinais vitais digitais da psique moderna.
Eles surgem onde a fala trava, onde a escrita é fria, onde o olhar não alcança.
É comunicação não-verbal em ambiente virtual.

Do ponto de vista psicológico, isso é fascinante:
criou-se uma semiótica emocional instantânea, quase como um inconsciente coletivo em pixels.

Talvez não seja sobre “superficialidade da geração emoji”,
mas sobre a sofisticação simbólica da nossa necessidade de sentir — mesmo em meio a textos frios e curtos.

Ser emojisado, no fim, é ser profundamente humano… numa linguagem atual.

Citação Inspiradora

“Quando não houver palavras, que a emoção desenhe. E se ela desenhar um emoji, entenda: foi o coração que escreveu.”

terça-feira, 1 de julho de 2025

FRAGMENTOS INVISÍVEIS

 

COMO O TRANSTORNO BIPOLAR SE APRESENTA POR DENTRO

Por Psi. Antônio Evangelista – Psicólogo Clínico

Apaixonado por saúde mental, escrita consciente e acolhimento verdadeiro

 

Nem todo sofrimento é visível. Vivemos em uma sociedade que valoriza a produtividade, o sorriso pronto e a estabilidade aparente mas, por trás dessas máscaras sociais, podem existir batalhas psicológicas silenciosas.

O transtorno bipolar é uma dessas batalhas. Trata-se de um distúrbio do humor que provoca oscilações emocionais intensas da euforia à tristeza profunda e que pode comprometer significativamente a qualidade de vida de quem vive com ele. Na maioria das vezes os sinais não são evidente. Eles se camuflam no cotidiano, tornando ainda mais difícil o diagnóstico precoce e o acesso ao cuidado adequado.

 

Uma metáfora visual

Imagine uma maçã vermelha, brilhante, aparentemente perfeita. Quem olha de fora vê apenas a casca lisa, o brilho sedutor. Mas, com o tempo, pequenas fissuras começam a surgir. Por dentro, ela vai se fragmentando, como um mosaico que se desfaz lentamente. Ainda conserva sua forma, mas já não é mais inteira.

A metáfora aqui apresentada ilustra com clareza o que muitas pessoas que lidam com transtorno bipolar experimentam: uma desconexão entre o que se mostra ao mundo e o que se sente internamente. Raramente essa fragmentação acontece de forma abrupta; geralmente é um processo sutil, gradual — um degradê emocional quase invisível para quem está de fora.

 

Como o transtorno bipolar se manifesta

O transtorno bipolar pode apresentar diferentes tipos e intensidades, mas quase sempre alterna episódios de:

·       Euforia (mania ou hipomania): energia excessiva, autoestima inflada, impulsividade, ideias aceleradas e pouca necessidade de sono 

·       Depressão: apatia, tristeza intensa, lentidão cognitiva, desesperança e, em alguns casos, pensamentos suicidas

Esses episódios podem variar em frequência e intensidade. Algumas pessoas enfrentam ciclos curtos e recorrentes, enquanto outras vivenciam longos períodos de estabilidade entre as oscilações. O mais importante é reconhecer que nem toda mudança de humor é apenas "personalidade" ou "fases" - e sim sinais que merecem atenção.

“O transtorno bipolar é uma condição médica grave, mas tratável. Com o diagnóstico e tratamento adequados, muitas pessoas com transtorno bipolar podem levar vidas plenas e produtivas.”
American Psychiatric Association, DSM-5, 2014.

O perigo do silêncio

Muitas pessoas com bipolaridade mantêm rotinas aparentemente normais. Trabalham, convivem socialmente e até sorriem mesmo quando se sentem despedaçadas por dentro. Esse contraste entre aparência e vivência pode atrasar o diagnóstico e o tratamento, aumentando o risco de crises graves.

Além disso, o estigma associado aos transtornos mentais ainda impede que muitos busquem ajuda. Existe medo de julgamento, rótulo ou invalidação. Mas a verdade é clara: sofrimento psíquico não se resolve com força de vontade, mas com acolhimento, escuta assertiva sem julgamento e tratamento adequado.

 

O que fazer?

1.    Reconheça os sinais: alterações de humor, comportamento impulsivo, padrões de sono desregulados ou esgotamento persistente são sinais de alerta,

2.    Fale sobre o que sente: conversar com um profissional é o primeiro passo para entender o que está acontecendo,

3.    Busque tratamento: psicoterapia e, em muitos casos, medicação podem estabilizar o humor e melhorar significativamente a qualidade de vida,

Apoie com empatia: se você conhece alguém que pode estar passando por isso, ouça sem julgamento. Às vezes, isso é o que mais salva.

 

Conclusão

Se você sente que está se fragmentando aos poucos, mesmo que por fora tudo pareça bem — isso já é um sinal. A saúde mental é uma necessidade que precisa ser levado muito a sério inclusive com ações preventivas. E pedir ajuda não é fraqueza. É coragem, é cuidado, é recomeço.

 

Referências

  • AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais – DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
  • KAPCZINSKI, F.; QUEVEDO, J. (Orgs.). Transtorno bipolar: teoria e clínica. Porto Alegre: Artmed, 2009.
  • BOSAIPO, N. B.; BORGES, M. K.; JURUENA, M. F. Transtorno bipolar: reflexões sobre diagnóstico e tratamento. Revista Perspectiva, [S. l.], 2017.
  • DEMÉTRIO, F. N. Transtorno bipolar – teoria e clínica. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, 2009.
  • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Atlas da saúde mental. Genebra: WHO, 2011.
  • SCIELO BRASIL. Transtorno bipolar – teoria e clínica. Revista Brasileira de Psiquiatria. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbp/a/ftG5Fzpr9rvcBJH94sSXjCS/. Acesso em: 1 jul. 2025.

 

Psi. Antônio Evangelista 

Psicólogo • CRP/SP 149802 

 

 

segunda-feira, 30 de junho de 2025

O PESO DAS PALAVRAS


 QUANDO O SIGNIFICADO ADOECE A MENTE

“Algumas palavras são tão leves que se perdem no espaço e no ar - outras são tão pesadas que podem suscitar traumas e castrações.”

Somos feitos de linguagem. Antes mesmo de sermos nomeados, já éramos moldados pelas palavras ao redor - promessas, repreensões, silêncios. Cada gesto verbal (ou a ausência dele) se inscreve na memória como uma tatuagem invisível, mas persistente.

À medida que crescemos, aprendemos a dar nome ao mundo. Mas esse vocabulário não descreve apenas o externo - ele constrói o interno. Há uma lacuna considerável entre o que é verbalizado e o que é compreendido. É nesse intervalo que o trauma é incutido.

Um “você não presta” dito na infância pode ecoar por décadas, disfarçado de autossabotagem. Um simples “isso é besteira” pode sufocar uma dor legítima. E o mais curioso: muitas vezes, o que nos fere não é a fala do outro… mas o que ouvimos através dos nossos próprios filtros emocionais.

Imagem de Tom por Pixabay

Porque, no fim, nem sempre o que você ouve, houve. Às vezes, o que houve foi a voz antiga das suas inseguranças falando mais alto que a realidade.

Num mundo hiperconectado, onde tudo se diz mas pouco se escuta com profundidade, reaprender a nomear o mundo é quase um ato de resistência emocional. As palavras que usamos não são apenas ferramentas de expressão - são moldes de realidade. Podem ser abrigo… ou prisão.

Reflexão Psicológica

Pela ótica da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), os pensamentos automáticos funcionam como trilhos mentais: seguimos por eles sem perceber, guiados por significados sedimentados pela dor, pelo medo e pelo julgamento.

Quando esses trilhos são construídos com palavras marcadas por exclusão, vergonha ou culpa, nossa forma de perceber o mundo se estreita. Adoecemos - ora no silêncio do não-dito, ora na brutalidade do mal interpretado.

Reestruturar pensamentos não é negar a dor. É questionar a origem das palavras que usamos contra nós:
“Será que isso é mesmo verdade? Ou carrego heranças emocionais mal digeridas?”

A proposta da TCC é libertadora: sair da rigidez dos significados e abrir espaço para novos vocabulários internos. “Fracasso” pode se transformar em “aprendizado”. “Insucesso” pode ser apenas “experiência”. E até o sofrimento pode se tornar uma semente de reescrita.

Como bem nos lembra Aaron Beck, fundador da abordagem: “Não são os eventos em si que nos perturbam, mas o significado que damos a eles.”

Para Inspirar

“A linguagem é o armário das nossas emoções. E cada palavra mal dobrada pode amassar um sentimento inteiro.” -  Valter Hugo Mãe

E você?

Quais palavras te acompanharam silenciosamente até hoje? Existe alguma que você sente que ainda precisa renomear?

Compartilhe nos comentários - talvez a sua história ajude alguém a encontrar um novo vocabulário para si.

Se preferir, posso sugerir também hashtags, SEO e uma versão adaptada para redes sociais. Quer seguir nessa linha?


                                                                                                         Por Psi. Antonio Evangelista

quarta-feira, 25 de junho de 2025

CRISE DE SENTIDOS

ENTRE A FLOR E O NOTEBOOK

                                                             Por Antonio Evangelista

A imagem da flor branca ao lado do notebook evoca duas forças aparentemente opostas: o ser que apenas é e o fazer que exige sentido. A flor desabrocha sem perguntas; o notebook só ganha valor quando preenchido de ideias. E entre esses dois polos, está o ser humano: projetando significado em tudo, buscando justificar sua existência.

Essa busca por sentido é central na experiência humana, e a sua ausência pode gerar um vazio existencial. A Terapia Cognitivo-Comportamental reconhece isso ao abordar os pensamentos automáticos negativos que surgem em momentos de perda de propósito. Questionamentos como “por que continuo?”, “o que isso tudo significa?”, “tem alguma utilidade?” revelam uma angústia legítima, não patológica em si, mas que pode se tornar adoecedora se não acolhida.

“Quando a vida nos apresenta flores e máquinas, talvez o que ela peça não seja escolha, mas escuta.”

SENTIDO E RESSIGNIFICAÇÃO

A TCC propõe que o sofrimento psicológico está frequentemente ligado a interpretações distorcidas da realidade. Em contextos de crise de sentido, essas distorções podem incluir:

  • Generalizações negativas (“nada mais vale a pena”)
  • Catastrofizações existenciais (“se nada tem sentido, então tudo está perdido”)
  • Perda de perspectiva temporal (“vai ser sempre assim”)

O processo terapêutico busca ressignificar — não com respostas prontas, mas com perguntas guiadas, que favoreçam o redirecionamento do olhar. E, curiosamente, é isso que sua imagem propõe: a flor e o notebook não dizem nada, mas sugerem tudo.

VIKTOR FRANKL E A LOGOTERAPIA

Uma grande referência aqui seria Viktor Frankl, psiquiatra e sobrevivente de campos de concentração, que desenvolveu a logoterapia — terapia centrada na busca de sentido. Para Frankl:

“O ser humano não está destruído pelo sofrimento, mas pela perda do sentido no sofrimento.”

Sua reflexão dialoga fortemente com isso: a dor da falta de sentido não se resolve apenas com respostas racionais, mas com a disposição para ouvir o silêncio da flor e o vazio da tela.

A FLOR COMO METÁFORA DO SENTIDO SILENCIOSO

A flor não precisa justificar sua existência. Ela floresce, silenciosa e inteira, sem necessidade de provar sua utilidade. Talvez o sentido da vida não esteja apenas no que fazemos, mas no modo como estamos no mundo. O notebook, ao seu lado, exige conteúdo, ideias, produtividade; a flor, por sua vez, oferece presença. Enquanto um pede respostas, a outra convida à escuta. E se o sentido não for algo a ser conquistado, mas algo a ser reconhecido?

A ausência de sentido não é apenas um dilema filosófico — é uma dor concreta. Quando perdemos o “para quê” das nossas ações, instalam-se sintomas que vão além da tristeza: a desmotivação, a apatia, a desconexão consigo e com os outros. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) reconhece essa dor como legítima e propõe caminhos de ressignificação. Ela nos ensina que certos pensamentos automáticos — como “nada mais vale a pena” ou “vai ser sempre assim” — podem nos aprisionar em narrativas de desesperança.

Mas talvez, quando a vida nos apresenta flores e máquinas, ela não esteja exigindo uma escolha entre uma ou outra, e sim nos pedindo algo mais sutil: escuta. Uma escuta que não busca resolver, mas acolher. Nem tudo precisa ser entendido de imediato — algumas coisas precisam apenas ser sentidas, vividas, respeitadas em seu silêncio.

segunda-feira, 23 de junho de 2025

CONEXÕES — Network da Alma


 

Quando os Vínculos se Tornam Caminho de Cura

Vivemos conectados digitalmente, mas o afeto genuíno muitas vezes segue fora de alcance. Estamos todos ao alcance de um clique, mas raramente ao alcance de um abraço psíquico. Falta profundidade e talvez seja justamente isso que o network da alma vem nos lembrar: há vínculos que não se estabelecem com Wi-Fi, mas com escuta, presença e afeto.

O Que É Network?

No contexto tecnológico, trata-se de uma rede de dispositivos interligados que compartilham informações computadores, servidores, sistemas digitais. Neste texto, porém, a palavra ganha outra densidade: network da alma é uma rede invisível e afetiva, tecida pelas relações que nos marcam, sustentam e transformam. É o sistema silencioso de apoio emocional que criamos e que também nos cria ao longo da vida.

Uma Rede Artesanal

Esse network é artesanal. Ele se constrói no silêncio de uma companhia verdadeira, no olhar que acolhe a vulnerabilidade alheia, no tempo dedicado sem urgência de retorno. Cada elo é tecido por histórias compartilhadas e afetos que se cruzam, formando uma rede que ampara e sustenta o eu mais autêntico aquele que raramente aparece nos stories.

A Psicologia e os Vínculos

A psicologia contemporânea já não dissocia o sujeito de suas relações. Teorias como a do apego (Bowlby) e da intersubjetividade (Daniel Stern) mostram que nossa saúde emocional depende da qualidade das relações que estabelecemos desde o início da vida. Um bebê não se desenvolve em isolamento e o adulto também não. Somos continuamente moldados pelos afetos que recebemos e por aqueles que escolhemos doar.

Uma Rede de Espelhos

Assim, o network da alma é também uma rede de espelhos. Nos outros, nos reconhecemos, nos confrontamos, nos transformamos. Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicólogo suíço, afirmava que tornar-se quem se é exige atravessar sombras e muitas vezes, só com vínculos sólidos é que ousamos iluminá-las.

Camada Simbólica

Na mitologia grega, Ariadne oferece um fio a Teseu para que ele possa sair do labirinto após matar o Minotauro. Esse fio, metaforicamente, é também um vínculo. É o reencontro com a essência, que acalma e reorienta, permitindo que cada indivíduo retorne emocionalmente ao centro de si mesmo.

"Relacionar-se profundamente é tecer pontes onde antes só havia abismos."
(Pense nisso.)

Conclusão

Zelar pela rede afetiva que nos sustenta vai além de manter conexões: é reconhecer a importância dos afetos na construção do nosso ser. É reconhecer que somos interdependentes por natureza e que nossa inteireza se revela no entrelaçamento com o outro.

É nesse ponto, onde a afetividade se conecta com o tempo, que a sede de nossas emoções se ressignifica e respira com mais leveza. Talvez, no fim das contas, viver bem seja menos sobre acumular conexões e mais sobre cuidar das poucas, mas profundas, que nos mantêm inteiros.

Pergunta Provocadora

Quantos fios você tem deixado soltos na sua alma — e quantos tem coragem de costurar de volta ao seu próprio eixo emocional?

Referências
BOWLBY, John. Apego: A Natureza do Vínculo. Martins Fontes, 2002.
JUNG, Carl G. O Homem e Seus Símbolos. Nova Fronteira, 1991.
STERN, Daniel. O Mundo Interpessoal do Bebê. Martins Fontes, 1992.
TOLLE, Eckhart. O Poder do Agora. Sextante, 2002.
CAMPBELL, Joseph. O Herói de Mil Faces. Cultrix, 2007.

Por: Antonio Evangelista
Psicólogo

 

segunda-feira, 16 de junho de 2025

QUEM SOU EU QUANDO NÃO HÁ OLHOS ME OBSERVANDO?

 
A espiritualidade no contexto bíblico acrescenta uma dimensão profunda à reflexão sobre identidade e autenticidade.

A questão persiste em um silêncio que ecoa. Somos realmente os mesmos quando não há ninguém nos olhando? Ou moldamos nossas respostas e comportamentos conforme o ambiente e as expectativas externas?

Para ROGERS, há um abismo entre o self real (quem realmente somos), o self percebido (como nos vemos) e o self ideal (quem gostaríamos de ser). O "eu normal" surge como um espaço intermediário, uma tentativa de equilíbrio entre esses aspectos. Mas será que conseguimos de fato essa coerência?

Henri Tajfel, explica por meio da Teoria da Identidade Social, demonstra que moldamos nossa percepção do eu conforme os grupos aos quais pertencemos. Nossa identidade não é fixa—ela se adapta conforme o contexto social. No trabalho, na família, entre amigos, manifestamos versões distintas de nós mesmos, não por falsidade, mas porque a adaptação é intrínseca à existência.

Sigmund Freud e Carl Jung ampliam esse pensamento ao afirmar que forças inconscientes influenciam nossa percepção de quem somos e quem deveríamos ser. Nosso ego busca coerência, mas é pressionado tanto pelo id (nossos impulsos primitivos) quanto pelo superego (as normas internalizadas). Dessa forma, o "eu normal" pode ser entendido como um mecanismo de defesa—uma tentativa de estabilizar essas forças internas.

No contexto bíblico, a identidade transcende o mero ajuste social e psicológico—ela se fundamenta na espiritualidade. Em Gálatas 2:20, Paulo escreve: "Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim." Essa afirmação sugere que a identidade genuína não depende apenas da percepção externa, mas de uma conexão interior e divina.

A Bíblia constantemente enfatiza que Deus nos conhece em nossa essência, independentemente das máscaras sociais que usamos. Em Jeremias 1:5, Ele diz: "Antes que eu te formasse no ventre, te conheci." Isso significa que, quando estamos sozinhos, sem olhares nos observando, ainda somos vistos e conhecidos por Deus—sem filtros, sem adaptações.

Se tomarmos a perspectiva existencialista, o "eu normal" pode ser um obstáculo à autenticidade. Viktor Frankl e Rollo May enfatizam a necessidade de busca por significado e identidade genuína. A normalidade não seria um destino, mas um conforto ilusório—uma proteção contra a incerteza de sermos múltiplos, transitórios, em constante transformação.

Aceitar que somos feitos de camadas, e não de uma única identidade fixa, nos liberta. O "eu normal" não é uma linha reta, mas um espaço onde todas as versões coexistem sem necessidade de classificação. Não há fixidez, apenas expansão—e, para aqueles que creem, essa expansão se conecta a algo maior e transcendente.

 Citação inspiradora:
"O privilégio de uma vida é se tornar quem você realmente é." – Carl Jung

 

quinta-feira, 5 de junho de 2025

AFORMAÇÕES – O PODER DO AUTOQUESTIONAMENTO ESTRATÉGICO NA TRANSFORMAÇÃO COGNITIVA

INTRODUÇÃO 

As aformações, conceito desenvolvido por Noah St. John, surgiram como uma abordagem inovadora para potencializar a transformação cognitiva, oferecendo uma alternativa refinada às afirmações tradicionais. Ao contrário das afirmações positivas convencionais, que podem gerar

resistência mental quando não condizem com a realidade interna do indivíduo, as aformações operam de maneira mais natural e instigante, reformulando mensagens em forma de pergunta reflexiva.

Um exemplo clássico: enquanto uma afirmação tradicional diria “Sou uma pessoa confiante e bem-sucedida”, aformações reformulam essa ideia para algo como “Por que sou uma pessoa tão confiante e bem-sucedida?”. Essa sutil alteração cria um efeito poderoso no cérebro, pois ativa mecanismos cognitivos voltados para a busca de respostas, levando o indivíduo a encontrar justificativas internas que validem essa percepção.

A CIÊNCIA POR TRÁS DAS AFORMAÇÕES

O funcionamento das aformações está profundamente ligado à forma como o cérebro processa informações "Ao nos questionarmos sobre algo, acionamos o Sistema de Ativação Reticular (SAR), uma rede neural que possibilita a regulagem a filtragem de estímulos promovendo o direcionamento da atenção. Isso significa que, ao formular uma pergunta positiva sobre nós mesmos, o cérebro começa a buscar evidências que sustentem essa ideia, influenciando diretamente nossa autoimagem e percepção de realidade.

Estudos em neurociência cognitiva sugerem que perguntas ativam áreas como o córtex pré-frontal, responsável pelo pensamento crítico e pela resolução de problemas. Assim, o uso consciente de aformações pode:

  • Reduzir padrões de pensamento negativo, afastando vieses cognitivos autodestrutivos.
  • Fortalecer a resiliência emocional, criando uma mentalidade de crescimento e aprendizado contínuo.
  • Estimular a neuroplasticidade, reforçando conexões neurais ligadas à autoeficácia e ao bem-estar psicológico.

 AFORMAÇÕES E A REESTRUTURAÇÃO COGNITIVA NA TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL (TCC)

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem como um de seus principais pilares a reestruturação cognitiva, que visa modificar padrões de pensamento disfuncionais para promover mudanças emocionais e comportamentais. Integrar aformações nesse processo pode potencializar significativamente os resultados terapêuticos.

As principais formas de integração incluem:

  1. Transformação de Crenças Limitantes
    • Uma pessoa que acredita que “Nunca conseguirei atingir meus objetivos” pode reformular esse pensamento para “Por que sou capaz de atingir meus objetivos?”.
    • Esse processo ativa a busca por respostas positivas, permitindo uma mudança de perspectiva mais natural e eficaz.
  2. Desconstrução de Pensamentos Automáticos Negativos
    • Os pensamentos automáticos frequentemente derivam de percepções subjetivas que podem não refletir com precisão a realidade.
    • Usar aformações como estratégia pode ajudar a quebrar esses ciclos e substituir padrões autodestrutivos por interpretações mais adaptativas.
  3. Fortalecimento do Diálogo Interno Construtivo
    • O uso frequente de aformações gera um impacto profundo na narrativa interna do indivíduo.
    • Através desse questionamento estratégico, é possível cultivar um mindset mais resiliente e otimista.
    •  

COMO APLICAR AS AFORMAÇÕES NA PRÁTICA?

Para transformar esse conceito em uma ferramenta cotidiana, siga este fluxo prático:

1. Identificação de Padrões de Pensamento Limitantes

  • Observe quais pensamentos recorrentes impactam sua confiança e motivação.
  • Registre momentos em que esses pensamentos aparecem e analise suas origens.

2. Reformulação para Aformações

  • Pegue cada pensamento negativo e reformule-o em uma pergunta fortalecedora.
  • Exemplo: Em vez de pensar "Nunca consigo aprender coisas novas", pergunte: "Por que tenho tanta facilidade para aprender coisas novas?".

3. Registro de Respostas Positivas e Evidências

  • Liste todas as razões pelas quais essa nova percepção pode ser verdadeira.
  • Procure exemplos concretos em sua vida que sustentem essa ideia.

4. Monitoramento das Mudanças no Pensamento e Comportamento

  • Observe como sua mentalidade evolui com o uso contínuo das aformações.
  • Ajuste as perguntas conforme necessário para reforçar padrões de pensamento positivos.

CONCLUSÃO

As aformações são um recurso poderoso que pode ser integrado ao processo de reestruturação cognitiva na TCC, promovendo uma mudança interna profunda e fortalecendo a autoeficácia. Ao adotar essa técnica como parte do seu cotidiano, você poderá reconfigurar sua percepção de si mesmo, ampliando sua capacidade de superar desafios e alcançar novos níveis de crescimento pessoal.

A mente tem um incrível potencial de adaptação, e ao direcionarmos nossas perguntas para soluções e possibilidades, criamos um ambiente interno que favorece mudanças positivas e duradouras. 


BIBLIOGRAFIA:

 ST. JOHN, Noah. O Livro das Aformações: Descobrindo a Peça Perdida para Saúde, Riqueza, Amor e Felicidade. Waterfall Media, 2013.

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terça-feira, 3 de junho de 2025

PERTENCER: ENTRE O ACOLHIMENTO, A LIBERDADE E A VULNERABILIDADE

A necessidade de pertencimento é uma das forças mais fundamentais da psique humana, impactando profundamente o comportamento, as emoções e a construção da identidade. Essa necessidade pode ser vista sob duas perspectivas: uma positiva, que fortalece a saúde mental e a sociabilidade, e uma negativa, que pode levar à perda de autenticidade e ao sofrimento emocional.

 Provocação:

a)    Você já se sentiu forçado a mudar sua autenticidade para se encaixar em um grupo? Até que ponto a necessidade de pertencimento impacta sua liberdade individual?

Na busca por pertencimento, será que nos tornamos quem realmente somos ou apenas aquilo que os outros esperam de nós?

Obs: Responda nos comentários



O lado positivo do pertencimento

A conexão com grupos sociais, sejam familiares, culturais ou profissionais, desempenha um papel crucial no desenvolvimento psicológico. Alguns benefícios incluem:

  1. Segurança emocional: Sentir-se parte de um grupo traz apoio emocional e reduz sentimentos de solidão e ansiedade. Baumeister e Leary (1995) afirmam que “os seres humanos têm uma necessidade persistente e generalizada de formar e manter relacionamentos interpessoais fortes, estáveis e afetivos.”
  2. Autoestima fortalecida: O reconhecimento e a aceitação social podem aumentar a confiança e a percepção de valor pessoal. A construção da identidade, segundo Erik Erikson (1968), é diretamente influenciada pelo pertencimento social.
  3. Colaboração e empatia: Laços sociais incentivam a cooperação e a capacidade de compreender o outro, promovendo relações saudáveis. A Teoria da Autodeterminação (Deci & Ryan, 1985) reforça que o pertencimento deve estar alinhado à autonomia e à competência para promover bem-estar.
  4. Sentido de identidade: Fazer parte de uma comunidade contribui para a formação de identidade e propósito, ajudando indivíduos a se situarem no mundo.

O lado negativo do pertencimento

Por outro lado, a necessidade excessiva de aceitação pode gerar desafios psicológicos que comprometem o bem-estar. Alguns riscos incluem:

  1. Supressão da autenticidade: O desejo de pertencimento pode levar à adaptação excessiva às normas do grupo, impedindo a expressão genuína da individualidade. Brené Brown (2010) destaca que “pertencer sem precisar mudar quem somos é um dos maiores desafios emocionais da vida adulta.”
  2. Medo da rejeição: Quando a aceitação se torna um critério central para a autoavaliação, o indivíduo pode desenvolver ansiedade social e medo de ser excluído.
  3. Influência negativa: A necessidade de pertencimento pode tornar alguém vulnerável a grupos nocivos ou manipuladores, levando a decisões prejudiciais.
  4. Dependência emocional: A busca constante por aprovação pode gerar relacionamentos desequilibrados, nos quais a pessoa se torna emocionalmente dependente da aceitação alheia. 

Reflexão psicológica

A chave para um pertencimento saudável está no equilíbrio entre a conexão social e a preservação da individualidade. A Teoria da Autodeterminação, proposta por Deci e Ryan, sugere que a necessidade de relacionamento deve coexistir com autonomia e competência para que o desenvolvimento psicológico seja positivo. A construção de um pertencimento genuíno ocorre quando o indivíduo se sente livre para ser autêntico sem medo de rejeição.

Nesse contexto, o caminho para uma vida emocionalmente equilibrada envolve cultivar laços sociais genuínos, evitar padrões de dependência e compreender que o pertencimento mais valioso não é aquele imposto, mas o que permite a autenticidade. 

Bibliografia:

BAUMEISTER, Roy F.; LEARY, Mark R. A necessidade de pertencer: o desejo por vínculos interpessoais como uma motivação humana fundamental. Psychological Bulletin, v. 117, n. 3, p. 497-529, 1995.

 DECI, Edward L.; RYAN, Richard M. Teoria da autodeterminação: uma macroteoria sobre motivação humana, desenvolvimento e saúde. Canadian Psychology/Psychologie Canadienne, v. 49, n. 3, p. 182-185, 2008.

 BROWN, Brené. Os presentes da imperfeição: abra mão de quem você acha que deve ser e aceite quem você realmente é. Center City: Hazelden Publishing, 2010.

 

 

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